domingo, 27 de julho de 2008

Bicicletada de Julho :: Impressões


Concentração na Praça do Ciclista

Depois de uma semana de muita expectativa, finalmente chegara o dia da tão esperada bicicletada de julho. Me encontrei com uma turma na Av. Domingos de Morais, incluindo a bicicleta sonora do André, que ficou o máximo e ia chamando a atenção dos curiosos pelo caminho. Fizemos duas escalas no trajeto pois o pessoal ia integrar o bonde para a bicicletada de Curitiba e logo estávamos encostando na Praça do Ciclista ao som de Invasão das Bicicletas, do Plá.

Reencontrei algumas pessoas que tinha conhecido pessoalmente no rolê de divulgação na praça dos malabares e outros rostos da lista da bicicletada tomaram forma. A Soninha, candidata à Prefeitura de São Paulo também estava presente e apesar do momento de descrença total nos políticos, inclusive de minha parte, achei bem legal vê-la lá, de bicicleta como todos nós e super acessível a quem quisesse conversar com ela.



Aos poucos a massa crítica foi tomando forma e tamanho e quando percebi estávamos rumo ao Condomínio Grand Space Pinheiros. A massa fez um protesto super bem humorado na frente do prédio porém uma coisa que me fez pensar bastante no crescimento da massa crítica e da bicicletada foi o fato de eu ter que explicar para N pessoas a minha volta o que estava acontecendo ali, e por que, sem saber de nada elas engrossavam o coro "libera a bicicleta!".


Massa rumo ao Grand Space Pinheiros

É claro que essas pessoas não estão na lista da bicicletada na internet, então eu fiquei pensando com os meus botões até que ponto o tal "poder horizontal" funciona? É uma questão complicada e merece um post de reflexão só sobre esse assunto, mas na minha modesta opinião pessoal, não tem nada mais surreal do que participar de um ato de protesto sem saber o por quê e o que está fazendo ali, isso me lembrou um pouco os "caras pintadas".


Libera a Bicicleta!


De lá subimos pela Teodoro Sampaio e passamos por toda Paulista, rumo Vergueiro e centro da cidade. Eram quase 22:00 e a Paulista no sentido contrário estava praticamente parada, não pela bicicletada, mas pelo trânsito mesmo. O mais interessante é ir pedalando e observando os rostos das pessoas dentro dos carros, tem de tudo, o estressado, o bem humorado, o indiferente, entre tantas outras expressões que ficaria aqui um ano relacionando.

Essa é uma das coisas que mais me atraíram na bicicletada, visão que você pode ter da cidade e principalmente das pessoas enquanto você está pedalando é totalmente diferente, é uma experiência muito legal, principalmente também entre os participantes. Me peguei conversando com os mais diferentes tipos de pessoas sobre os mais inusitados assuntos, é um lance realmente fantástico, todo mundo deveria experimentar isso pelo menos uma vez, é uma viagem incrível de pensamentos, opiniões, visões, um mundo de possibilidades e um alento ao coração e à mente frente a tudo o que vemos acontecer diante dos nossos olhos, e que em momentos de fraqueza nos fazem acreditar que somos impotentes e que não temos como mudar tudo isso. Integrando a massa crítica sentimos de verdade que podemos fazer, e estamos fazendo a diferença e que tudo pode ser melhor para todos, e o melhor de tudo, num clima de paz, respeito e humanidade incrível.

É claro que em uma sexta-feira, depois de uma semana inteira de trabalho e com o trânsito caótico da cidade, econtramos muita gente estressada pelo caminho. Mas o que mais me chamou a atenção nesse sentido, foi que o maior stress que eu vi dessa vez aconteceu justamente com um motoqueiro que se meteu no meio da massa tirando fina de todo mundo e colocando as pessoas em risco. É óbvio que ele foi fechado e tomou um belo de um esporro do pessoal, até parei para ver a cena, e só ouvi ele falando "pô eu tô trabalhando!".

Achei aquilo hilário, pois na hora de que eles resolvem fuder a vida de todo mundo para protestar, inclusive do transporte público, que não é o caso da bicicletada que libera a passagem para os ônibus, eles não lembram que a cidade inteira também está trabalhando.

Muito se fala sobre transporte esses dias, principalmente pela proximidade das eleições e acho que motos deveriam ter um capítulo à parte, mas isso fica também para um post específico.

Enfim, passamos pelo centro, Praça da Sé, Pátio do Colégio, Praça da Repúlica e subimos a Rua Agusta retornando para a Praça do Ciclista. Nesse trajeto, foi deprimente ver o tanto de gente dormindo pelas ruas, pelas escadarias, monumentos. Pessoas usando drogas no meio da rua.


Massa Crítica na Catedral da Sé


Uma cena lamentável. A parte engraçada foi a subida da Augusta onde brincando com os gritos de ordem com o Terrorista Latino, começa a sair um refrãozinho: "menos puta! mais bicicleta" que não emplacou, mesmo eu tentando ajudar aperfeiçoando a rima para "menos putaria! mais ciclovia!", ainda bem, senão acho que iríamos apanhar ali de cafetões, leões-de-chácara e das próprias primas!


El Terrorista Latino "menos puta, mais bicicleta!"

Ainda passamos por dois clubs emo e foi muito engraçado, não eles não choraram por não terem sido convidados antes que alguém me pergunte.

Trajeto completado, rolou um sonoro parabéns à você pelo aniversário da bicicletada, com direito a bolo e tudo mais (é o que dizem porque eu só vi foi o farelo!) e depois de jogar mais um pouco de conversa fora peguei o caminho da roça.

Na volta ainda vim um belo pedaço conversando com um guerreiro que ia muuuuito mais para a frente que eu, lá pros lados da Anchieta com o banco da bike quebrado, ele fez uma gambiarra lá e até onde nos separamos estava funcionando, espero que tenha dado certo até o seu destino!

Cheguei em casa e vi que tinha andado 40 km! Isso me instigou mais ainda a idéia de cair na estrada de bicicleta um dia desses. Talvez a ida para Sorocaba, como estão combinando na lista da bicicletada me dê uma boa noção do que é fazer isso de verdade, vamos ver!

Contando os dias para a bicicletada de Agosto!

Quem quiser conferir a galeria completa de fotos que tirei nesse dia é só clicar AQUI





























3 comentários:

Bruno Giorgi disse...

Olá Eduardo, meu nome é Bruno, essa foi a minha primeira participação na bicicletada (a primeira de muitas com certeza), me senti incrivelmente feliz por poder participar de um movimento tão importante e de perceber que algo está começando a mudar para melhor nessa cidade, isso nos dá esperança de continuar lutando por uma sociedade melhor e mais justa.
Gostaria de pedir um favor, como faço para fazer parte da lista da bicicletada? Meu e-mail é: brunogci@yahoo.com.br

Grato.

Eduardo Marques Grigoletto disse...

Oi Bruno! Para assinar a lista da bicicletada basta entrar neste endereço:

https://lists.riseup.net/www/info/bicicletada-sp

Aí é só se inscrever e cofigurar as suas preferências de recebimento de e-mails.

Abraço!

.chascon. disse...

Faaala rapaz!!!
Tambem sai super contente depois da massa critica de sexta-feira. Pena que nao consegui engrossar o protesto na frente do GRANDE ESPACO pois cheguei um pouco atrasado.
Tambem percebi que a cada nova bicicletada, mais pessoas entram e nos acompanham pelo passeio, porem, sem saber exatamente o que estao fazendo ali ou sem saber o que eh uma massa critica.
O importante eh que levem consigo uma boa impressao dessa experiencia, e que em futuras bicicletadas se conscientizem e percebam que alem de diversao, tem uma proposta seria e valida de cidadaos inquietos que acreditam em uma mudanca de paradigma.
A gente se fala rapaz!!
Obrigado por se lembrar de mim neste post, pena que o coro nao engrossou. Da proxima vez a gente grita mais alto!!
Abraco!