domingo, 14 de setembro de 2008

Bike Trip :: São Paulo - Sorocaba

Depois de perder o Pedal Cultural e ficar babando nas mensagens e fotos  sobre esse passeio na lista da Bicicletada, prometi para mim mesmo que não perderia por nada no mundo a viagem até Sorocaba, nem que chovesse canivete eu estaria dessa vez junto com o pessoal em mais uma aventura.

Quase que me arrependo de ter dito isso pois no sábado acordei, abri a janela e o tempo estava horrível! Nublado, frio e com cara de chuva de canivete! Olhei para a minha cama quentinha, para a bike toda pronta para encarar o desafio e resolvi deixar a preguiça de lado e também não ficar pensando muito no que eu estava fazendo e me mandei rumo à Praça do Ciclista, ponto de partida e de encontro de quem ia na viagem.

Saí um pouco atrasado de casa devido a alguns contratempos e no meio do caminho percebi que não estaria no ponto de encontro no horário combinado, 7:00 da manhã.  Mesmo assim decidi seguir no meu ritmo e ver no que ia dar e acabei chegando lá às 7:20 e não acreditei quando vi o bando de gente que estava reunida lá na praça. Eu imaginava que estaríamos em uns poucos gatos pingados, ainda mais com o tempo do jeito que estava.

Logo começamos a sentir uns pingos e decidimos ir seguindo o caminho e entrando em contato por telefone com quem não havia chegado. Fomos saindo da cidade, pedalando e conversando e quando vi já estávamos chegando na entrada da Rodovia Castello Branco, que foi até simples de se acessar num grupo de 22 pessoas como estávamos, mas sozinho imagino que deva ser um pouco complicado.

Fomos seguindo e nos afastando da cidade, acompanhados pelo tempo cinza e alguns pingos que não podiam ser considerados  necessariamente uma chuva mas que me impediam de fotografar e filmar o começo de nossa aventura, uma pena, ainda mais depois de ter passado a noite anterior fazendo alguns ajustes no suporte que montei para prender a câmera no guidon da bike.

Apesar de estar fazendo uma coisa que eu sempre tive vontade de fazer, uma viagem de bicicleta, confesso que o começo não foi muito legal pois o grande número de caminhões que passam em alta velocidade,  fazendo um barulho infernal e a sujeira do acostamento me deixaram um pouco tenso. Mas ao nos afastarmos um pouco da capital isso foi melhorando e a viagem se tornando cada vez mais agradável. Tivemos apenas um pequeno incidente no início que foi a queda de uma das meninas que estava no grupo, ganhando um susto e alguns ralados, mas logo ela estava pedalando de novo.

Por volta do Km 30 da viagem, o tempo fechou de vez e por sorte havia um posto Graal ao lado da estrada onde resolvemos dar uma parada, e logo depois que encostamos São Pedro mandou uma baita de uma chuva. Resolvemos esperar para ver no que ia dar e nesse momento eu pensei que rolariam algumas desistências pois a chuva era forte mesmo, mas que nada, todo mundo começou a ser equipar com capas de chuva, sacos plásticos e tudo mais que pudesse proteger um pouco contra a água para enfrentar a estrada até Sorocaba.

Eu como já havia chegado até ali não estava disposto a desistir, então peguei uma capa de chuva, uns sacos plásticos para não encharcar os tênis e assim que a chuva deu uma diminuída resolvemos encarar. Eu já estava me preparando psicologicamente para ir tomando água na cabeça até Sorocaba mas foi só nos distanciarmos mais alguns quilômetros de São Paulo que o tempo foi melhorando e a chuva passou, e apesar de não ter saído nenhum sol, pudemos sentir até um certo mormaço batendo. A chuva até que foi boa para dar uma lavada no acostamento, mas mesmo assim foram 7 pneus furados até Sorocaba pela contagem do pessoal. Mesmo estando com fita anti-furos nos pneus, levei 2 camâras reserva , remendo e estátulas mas ainda bem que não as tive que usar, meus pneus slick apesar de não serem dos melhores foram e voltaram intactos.

A viagem foi seguindo tranqüila, às vezes ia com o pessoal mais na frente, às vezes ficava mais para trás e íamos conversando nas subidas e curtindo as descidas mas com o passar do tempo comecei a aprender algumas coisas sobre a minha bicicleta e sobre a diferença de se pedalar na cidade e na estrada.

O banco da minha bicicleta é bem grande e quando se pedala entre pequenas distãncias, é bem confortável mas na estrada ele começou a me incomodar bastante pois chegou uma hora que demos de frente com uma subida de apenas 12 km de extensão. Não era uma subida muito íngreme mas era constante e parecia infinita. Nesse pedaço sofri bastante, pois como o banco estava me machucando eu acabava pedalando numa posição buscando algum conforto a mais e pisava errado no pedal, fazendo bastante esforço mas não tendo muito rendimento.

Com isso, fui ficando para trás e me preocupando em atrasar o pessoal que estava sumindo na minha frente mas já tinha enfiado na minha cabeça que não ia desistir e que ia seguir no meu ritmo, pois tentar acompanhar os outros que pedalam a mais tempo e também estão mais acostumados seria um erro, correria o risco de acabar a minha viagem por ali...

Comecei a lembrar de alguns perrengues que já passei pegando onda em alguns mares de ressaca,d aqueles que a gente entra e depois se pergunta o que está fazendo ali. Nessas horas o negócio é manter a calma e não querer brigar contra a corrente, e sim poupar energia para aproveitar a melhor oportunidade para sair, com calma e paciência.

Talvez se estivesse fazendo essa viagem sozinho, tivesse dado uma parada para dar um tempo e descansar um pouco mas estava realmente preocupado em não ficar atrasando o resto do pessoal pois apesar de em vários momentos estarmos em grupos mais adiantados e atrasados, sempre se chegava num momento que o pessoal da frente parava para esperar os de trás para não deixar ninguém ficar pelo caminho, ou seja, tinha certeza que em algum momento eles estariam me esperando, só não sabia se estaria putos comigo ou não rs...

Foi quando o André apareceu e começamos a conversar sobre a bike, banco, bermudas de ciclismo e mais uma série de dicas que ele ia dando e que faziam os metros passarem mais rápido e serem menos sofridos para mim. Regula banco, desregula banco mas nessa altura eu já estava bem prejudicado pelo banco com uma dor dos infernos na faixa de gaza, então o André ainda me deu uma rebocada  com um elástico entre as nossas bikes que não acreditei, o cara cheio de bagagem, na subida, pedalando por ele e por mim praticamente, impressionante! Rs. Ainda trocamos de bike, ele pegou a minha e eu a dele e aí vi que a minha bike não é lá essas coisas para se meter nesse tipo de aventura. Com a bike dele comecei a conseguir pedalar melhor e vencer a subida e quando chegamos ao final parecia que eu tinha ganhado na mega sena acumulada.  

O bom é que depois de toda subida vem uma descida, mas é claro que a Lei de Murphy não me proporcionaria uma descida de 12 km igual a subida né ! Mas descendo já estava bom, ainda mais quando no final da descida havia um posto de parada para descansar, comer e beber alguma coisa para repor as energias gastas naquela subida dos infernos!

Nessa descida antes do posto que percebi como a minha bike é amarrada, soltei a bike do André e ela desceu a milhão. Segundo o que ele estava me falando seria legal colocar uns cubos roletados na minha, assim ela anda mais.

Depois dessa parada seguimos para Sorocaba e um pouco antes de chegarmos na cidade havia um grupo de lá nos esperando na estrada para uma recepção super calorosa, pessoal muito legal aquele. Encararam junto com a gente a última subida antes de chegarmos na entrada da cidade, é claro que teria que ter mais uma derradeira subida!

Ao chegar na cidade acessamos a ciclovia e aí ouvi a frase mais engraçada da viagem que até agora não sei quem foi que soltou: “Ciclovia? Como é que usa isso???” apesar de ser uma piada, seria uma pergunta mais do que normal vindo de um paulistano com praticamente zero de ciclovias na cidade.

 Mas realmente a sensação de se pedalar ali, num espaço tranqüilo ao lado do rio, foi maravilhosa, mesmo com alguns erros de projeto na ciclovia, como estreitamentos da ciclovia quando se deveria estreitar o viário dos carros e manter a largura ideal da ciclovia, assim como nos cruzamentos a preferência ser dos carros, parando o fluxo da ciclovia, o que seria facilmente resolvido com uma passagem de nível, como se a ciclovia se tornasse uma lombada, obrigando os carros a diminuir a velocidade antecipadamente e dar a preferência aos ciclistas como versa o Código Nacional de Trânsito.

Como teria que voltar para São Paulo no sábado mesmo, assim como mais alguns companheiros de viagem, aproveitamos a passagem pelos arredores da rodoviária para nos mandarmos para lá e retornarmos a Sampa em tempo de conseguirmos entrar no metrô com as bikes, diminuindo o percurso de volta para casa, e para isso teríamos que passar pelas catracas até 20:00.

Por sorte, logo ao chegarmos havia um ônibus da Cometa de partida e conseguimos comprar as passagens, a R$ 17,00 - e embarcar nele sem problema nenhum para colocar as bikes no bagageiro e sem ter que pagar nenhuma tarifa extra por isso, muito bom.

Às 19:15 estava passando pela catraca do metrô, sem problema nenhum e assim segui até a estação São Judas  a mais próxima de casa, ma saída ainda recebi um boa noite do funcionário do metrô que abriu o portão para eu sair com a bike e fiquei impressionado pois até então tinha escutado vários relatos de cara feia por parte deles aos ciclistas.

Foi a primeira vez que peguei o metrô levando a bicicleta e foi muito legal, realmente é uma ótima opção de integração entres esses modais de transporte, só acho que no vagão em que é permitida a entrada das bikes, deveriam remover aqueles bancos no fundo pois acabamos atrapalhando um pouco as pessoas que tentam entrar e sair pela mesma porta que nós, e se pudéssemos entrar e colocar as bicicletas no fundo do vagão acho que seria mais confortável para todos.

Outra coisa que o metrô poderia fazer é liberar o uso da escada rolante com a bike ou entçao instalar canaletas nas escadas pois ter que subir escadas carregando a bicicleta é um empecilho para muita gente que pode usar o serviço mas que não tem condições de carregar a bike.

Enfim, cheguei em casa tomei um belo de um banho, jantei e caí na cama feliz da vida e cada vez mais animado com o projeto de empreender uma grande viagem de bicicleta pelo litoral do país. Fiz alguns vídeos e assim que colocar no youtube disponibilizo aqui no blog.

Dados finais da viagem:

Distância Percorrida:: 110,25 Km

Tempo de Pedal:: 6:22:03

Velocidade Média:: 17,3 km/h

Velocidade Máxima:: 56,0 km/h 

1 comentários:

Vinicius disse...

que trip hein! loucos por bike! mobilidade total....
mas compra outro banco, porque eu já comprei também.... fui com o banco fininho que ninguém quer, nem de GRAÇA rs...viny